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"Que a vossa fé não se baseie na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." 1Cor 2,5

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Fé e Liberdade: caminho perfeito

A comunidade brasileira contempla nos meses de outubro e novembro duas datas comemorativas de extrema importância: o dia dedicado à Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) e o dia da Consciência Negra (20 de novembro). É interessante perceber a conexão existente entre essas duas manifestações: a primeira de fé e a segunda, de luta.

O Brasil foi instrumento a partir de uma colonização escravocrata, além da aparente dizimação dos índios que aqui já residiam. Mas foi o negro africano que serviu de base para o progresso do país.

A escravidão foi uma grande ferida que para cicatrizá-la ainda se necessitará de muito carinho, diálogo, união e acima de tudo, conscientização. Até bem pouco tempo, os livros de história apontavam o caminhar do negro como um indivíduo fraco e que se deixava escravizar. Entretanto, a verdade era outra: muitos guerreiros se uniam em prol da conquista da liberdade.

Seria impossível testemunharem atos desumanos direcionados aos escravos como castigos, torturas, estupros, prisões, assassinatos. O colonizador colocava - se como "senhor" e os negros eram considerados simples mercadorias ou "animais de carga". Além disso, as mães viam seus filhos separados, vendidos, passando fome. Em meio a tudo isso, as lutas acabavam sendo uma arma. Surgia a primeira política de resistência, e uma referência seria Zumbi dos Palmares que foi um grande líder e apoiava a formação de Quilombos (espaços nos quais os negros passavam a morar com liberdade, mesmo correndo riscos de serem descobertos pelos capitães do mato e grandes traficantes de escravo).

Por conta de ser traído por um de seus parceiros, Zumbi acabou sendo assassinado no dia 20 de novembro de 1965. Porém, sua luta não foi em vão: em 1871 foi assinada a Lei do Ventre Livre e em 1888 a Lei Àurea.

Não podemos esquecer também que em 1850, um escravo chamado Zacarias, que ao ser conduzido por um feitor solicitou para orar em frente ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida e, milagrosamente, as correntes quebraram - se. A história da imagem de Aparecida é carregada de fé, mistérios e milagres por ter sido encontrada em um rio por três pescadores, além da cor negra, que passaria a ser chamada de "santa negra" ou " santa morena."

O povo brasileiro passou a venerá-la e até o Padre Zezinho, em uma das suas canções, dedicou a Padroeira:

" Virgem tão serena!
Senhora destes povos tão sofridos!
Patrona dos pequenos e oprimidos,
Derrama sobre nós as tuas graças! "

A Igreja Católica, por meio do amor e respeito à mãe de Jesus, firma o compromisso de lutar pelos excluídos da sociedade, seguindo o que o próprio Cristo falou, uma vez que para Deus, todos somos iguais.

E por falar em igualdade; segundo Janaina Teixeira, "todos os seres humanos, independente da cor, etnia ou condição social, são filhos de Deus. Portanto, discriminação racial além se ser crime entre os homens, é contrário aos princípios divinos." Nesse contexto, surgem alguns questionamentos: " Negros e brancos têm as mesmas oportunidades de educação e trabalho?" "Existe racismo no Brasil ?" " Há relações entre a escravidão e as desigualdades hoje?"

Após a Abolição da Escravatura, os negros foram dispensados de mãos vazias, tendo dificuldades de iniciarem uma vida digna, com trabalho e sem preconceito. Mas, a realidade foi outra. Com o fim da escravidão, os senhores passariam a contratar mão - de - obra estrangeira. Eis o início da desigualdade social no país.

Mesmo em meio ao progresso, o negro continuava sendo excluído nas fábricas, indústrias, comércio, dentre outros. Nos anúncios de empregos, exigiam sempre "boa aparência" para que as pessoas fossem contratadas. Esse era apenas um exemplo de preconceito racial.
Mas, os problemas apresentados até aqui não puderam bloquear as conquistas do povo negro no decorrer da história: as cotas para negros e afrodescendentes em vestibular e concursos públicos serviram de estímulo para que se reparasse os atos de exclusão direcionados aos mesmos. Não seria ainda a solução para o fim da discriminação do negro, mas uma base para a continuidade das realizações, embora nem todas as pessoas aceitem e vejam as políticas públicas como um retrocesso.

Sendo o dia 20 de novembro dedicado à Consciência Negra, é importante apontar alguns nomes que são referências para o povo negro, como Barack Obama, Joaquim Barbosa, Milton Nascimento, Milton Santos, Julieta Carteado, Glória Maria, Gilberto Gil, o Arcebispo Dom Zanoni, dentre outros.

Diante do que foi visto até aqui, construir um Brasil mais igualitário constitui uma tarefa fundamental, e isso só pode ocorrer a partir da conscientização de todos, que deve ocorrer todos as dias. Na Bíblia Sagrada, na Declaração Internacional dos Direitos Humanos e na Constituição Federal Brasileira, todos são iguais. E porque as pessoas insistem em ser diferentes ao fazer o outro diferente? Essa reflexão segue a cada um de nós.



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